domingo, 9 de outubro de 2011

essencial

Banhada pelo sol seu cabelo castanho encheu-se de brilho e iluminou o seu rosto crú que sutilmente se desenhava entre os traços naturais e luzes e sombras dos fios e tufos do cabelo enrolado que com atrevimento ali se repousaram. De feição seria e compenetrada parecia ate estar longe dali, tão distante que não me viu aproximar, não percebeu meus lábios secarem e meus olhos desenharem e eternizarem aquele momento.

Quando sucumbido por aquele longo pescoço, aqueles lábios sem tinta e os ondulados cabelos me vi no chão (ou melhor, sem ele) ao ser descoberto e surpreendido com um enorme sorriso tímido e um rosto se envermelhar.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Noite (4)

A noite já vencia, o cansaço se fazia e a angústia pelo beijo aumentava.
Um gole na cerveja... um gole na vodka...
O tempo passava mas a coragem não vinha, não se fazia presente. A conversa se emanava mas o desejo de do calor do outro só crescia.
Ela pegou o longo cabelo preto, enrolou e prendeu no alto da cabeça, tendo alguns fios [teimosos fios] desprendidos daquele emaranhado de cabelo e repousando sobre o seu fino rosto... foi então que ele entendeu. Até pediu licença, mas, antes mesmo de resposta, antes da sua concessão, as duas bocas se fizeram uma num só movimento, findando assim toda angústia de um Sábado.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fila.

O tumultuo, a fila, a ansiedade para o show, conversas, amigos, bebida... pessoas. Em meio a roda, em meio toda aquela discussão ele parecia estar em outro mundo. Distante, apenas concordava, quando muito esboçava um sorriso.
Distante e longínquo, assim ele se encontrava, e assim ela estava. Pouco mais que alguns metros, separavam ele daqueles castanhos cabelos e  o vestido verde.
Por um momento teve a estranha sensação de euforia e medo, pensava que seria "descoberto", um breve e rápido movimento fez com que ela ao arrumar o cabelo olhasse para trás e indubitavelmente cruzaram olhares... ele: em choque com tanta adrenalina; e ela: aquele olhar perpetuo que mesmo com o movimento do rosto, não desprendeu um instante se quer do rapaz.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

sorrisos, cabelo e suéter.

Eles já estavam ao fim daquela garrafa de vinho. Ela de regata branca e blusa cinza por cima, ele de suéter cinza xadrez e meias brancas. Em meio ao calor do término de mais uma taça tiveram a sede da boca um do outro, e num movimento ousado ele avançou sobre a mesa e tocou seus lábios nos lábios dela. Ela tímida tentou esconder sobre o curto cabelo seu rosto tímido, mas por descuido deixou explícito seu sorriso, aquele belo sorriso.

sábado, 13 de agosto de 2011

sépia

Levantou-se, deixou na mesa uma taça de tinto uma bela mulher a lhe esperar. O cabelo ora castanho, ora loiro trazia brilho ao branco rosto e os lábios pintados.
Quando retornava a mesa, lá de longe avistou aqueles longos cabelos, aquele rosto com traços delicados. Com uma das mãos segurava o tinto vinho e a outra afagava e mexia no liso cabelo, revelando assim aquela imagem inspiradora. 
Naquele instante, ele só desejava ser um fotografo, mas sem a máquina só restou-lhe parar e ficar contemplando aqueles serenos gestos e esperar o flash de um sorriso. 

preto&branco


O longo cabelo presso em nó, evidenciava aquele ombro, aquela nuca, aquele dorso. O pano listrado se depreendia pouco a pouco daquele corpo tornando visíveis os desenhos das marcas ósseas sob a pele branca e límpida, delineando as curvas daquele corpo de mulher... se não fosse o pequeno detalhe dos finos braços apoiando e segurando aquele tecido, sua intimidade se revelaria diante de meus olhos naquele instante. Mas por sorte ele se manteve austero embriagando as retinas com aquela luz, os olhos nem mesmo piscavam, ficaram secos.  
Ela nem mesmo olhava para trás, nem mesmo cessou seu caminhar, nem mesmo importou com os sutis passos dos meus olhos percorrendo suas costas. 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dia internacional da amizade

Voltando para as férias em Valadares a duas semanas atrás, lembrei que em fevereiro, quando acabará minhas férias de final de ano e retornava a rotina universitária, dentro do ônibus de partida de Valadares uma dor me afrigia e eu comecei a chorar, e chorava muito mesmo, não entendia direito aquele todo aquele sentimentalismo. Recordo que sentia medo, e era um medo estranho, medo de perder a minha família, daquela ter sido a última vez que via eles. E aquele dia voltando para casa para reencontrando meus pais e irmãos entendi minha aflição de fevereiro. Eu realmente estava me despedindo de alguém, aqueles dias tinha sido as ultimas vezes que encontrava alguém, que via ele, que conversava com ele, eu partia e me despedia de um amigo, de um irmão...

Drezão nossa amizade é eterna....